
Por Wal Cordeiro – Coordenador Nacional do projeto Pintando a alegria no sertão
Servi ao Senhor com Alegria
A alegria que transforma servos comuns em missionários extraordinários
Há pessoas que servem a Deus como quem carrega um fardo.
E há pessoas que servem a Deus como quem encontrou um tesouro.
A diferença não está na tarefa. Está no coração.
O Salmo 100 é um daqueles textos que parecem cantar mesmo quando são lidos. Cada versículo pulsa gratidão. Cada frase transborda esperança. Não encontramos aqui um povo reclamando da caminhada, mas adoradores celebrando o privilégio de pertencer ao Senhor.
Logo no início, o salmista ergue sua voz como um arauto diante das nações:
“Celebrai com júbilo ao Senhor, todas as terras.”
Observe a abrangência desse convite.
Não é um chamado para uma cidade.
Não é um chamado para uma denominação.
Não é um chamado para um grupo seleto.
É um convite para todas as terras.
Desde o princípio, o coração de Deus sempre bateu pelas nações.
Enquanto os homens constroem muros, Deus constrói pontes.
Enquanto os homens dividem povos, Deus sonha com uma multidão incontável reunida diante do Seu trono.
Missões não nasceram no coração dos missionários.
Missões nasceram no coração de Deus.
Antes que houvesse igrejas, congressos missionários ou agências transculturais, já existia um Deus apaixonado por pessoas.
O Deus que criou o mundo nunca perdeu o interesse por ele.
Talvez por isso o versículo seguinte seja tão surpreendente:
“Servi ao Senhor com alegria.”
Servir.
Alegria.
Palavras que nem sempre aparecem juntas.
Muitas vezes associamos serviço ao desgaste.
Pensamos em esforço, sacrifício, renúncia e trabalho.
E tudo isso faz parte da caminhada cristã.
Mas Deus deseja algo mais profundo.
Ele deseja que o serviço seja uma resposta de amor.
Um filho não abraça sua mãe porque foi obrigado.
Um apaixonado não visita sua amada porque recebeu uma ordem.
Quem ama serve espontaneamente.
Quem ama encontra alegria na entrega.
A verdadeira obra missionária não nasce da pressão.
Nasce da paixão.
Não nasce da culpa.
Nasce da gratidão.
Quando compreendemos tudo o que Cristo fez por nós, servir deixa de ser obrigação e passa a ser privilégio.
Passamos a dizer:
“Eu não preciso servir a Deus.
Eu posso servir a Deus.”
Que honra maior existe?
O Criador do universo permitir que pessoas comuns participem de Seus planos eternos.
Penso nos discípulos.
Homens simples.
Pescadores.
Cobradores de impostos.
Gente comum.
Não possuíam riquezas.
Não possuíam influência.
Não possuíam prestígio.
Mas possuíam alegria.
Uma alegria tão poderosa que nem prisões conseguiram apagar.
Uma alegria tão forte que nem perseguições conseguiram sufocar.
Uma alegria que os fez atravessar fronteiras, enfrentar desertos, navegar oceanos e anunciar o Evangelho até os confins da terra.
O que moveu aqueles homens?
Eles haviam encontrado Jesus.
E quem encontra Jesus nunca mais consegue viver apenas para si mesmo.
O salmista continua:
“Sabei que o Senhor é Deus; foi Ele quem nos fez, e dele somos.”
Aqui encontramos o segredo da alegria missionária.
Nós pertencemos a Deus.
Não somos produtos do acaso.
Não somos resultado de uma coincidência cósmica.
Fomos criados por um Deus amoroso.
Somos obra de Suas mãos.
Somos ovelhas do Seu pasto.
Pertencemos a Ele.
E quando entendemos isso, tudo muda.
A pergunta deixa de ser:
“Quanto vai custar servir?”
E passa a ser:
“Como posso glorificar aquele a quem pertenço?”
Missionários alegres não são pessoas sem problemas.
São pessoas que descobriram quem é o seu Pastor.
Ao longo dos anos, tenho visto essa verdade repetida inúmeras vezes.
Voluntários deixando o conforto de suas casas para servir em comunidades esquecidas.
Pessoas pintando paredes sob o sol escaldante do sertão.
Irmãos distribuindo Bíblias.
Jovens evangelizando crianças.
Mulheres preparando alimentos.
Intercessores orando durante a madrugada.
E sabe o que mais impressiona?
Os sorrisos.
Eles não estão ali porque alguém os obrigou.
Estão ali porque entenderam o privilégio de servir.
Existe uma alegria que não nasce das circunstâncias.
Ela nasce do propósito.
Quem vive para si mesmo cansa rapidamente.
Quem vive para Deus encontra forças renovadas todos os dias.
O versículo quatro amplia ainda mais essa visão:
“Entrai por suas portas com ações de graças.”
O objetivo final das missões nunca foi apenas transformar comunidades.
Missões existem para conduzir pessoas à presença de Deus.
Uma casa pintada é maravilhosa.
Uma cesta básica é importante.
Um filtro de água pode mudar uma família.
Mas tudo isso aponta para algo maior.
O Evangelho.
Porque a maior necessidade humana não é econômica.
É espiritual.
O maior milagre não é uma parede restaurada.
É um coração restaurado.
O maior presente não é um benefício social.
É a graça de Cristo.
Toda missão genuína termina aos pés da cruz.
E então chegamos ao último versículo:
“Porque o Senhor é bom, e eterna a sua misericórdia.”
Aqui está a razão de tudo.
Deus é bom.
Não servimos porque somos extraordinários.
Servimos porque Ele é bom.
Não evangelizamos porque somos capazes.
Evangelizamos porque Ele é misericordioso.
Não atravessamos cidades, estados e nações por causa de um projeto humano.
Fazemos isso porque fomos alcançados pelo amor de Deus.
A missão começa quando compreendemos a bondade divina.
E continua enquanto nos lembrarmos dela.
O dia em que esquecermos a bondade de Deus, perderemos a alegria.
E o dia em que perdermos a alegria, perderemos a essência da missão.
Talvez a maior necessidade da Igreja contemporânea não seja mais recursos.
Nem mais estratégias.
Nem mais tecnologia.
Talvez a maior necessidade seja redescobrir a alegria de servir.
A alegria dos primeiros discípulos.
A alegria dos missionários que atravessaram oceanos.
A alegria dos cristãos que mudaram a história.
A alegria de quem sabe que pertence ao Senhor.
Porque quando a alegria volta ao coração da Igreja, a missão volta aos pés da Igreja.
E quando a missão volta aos pés da Igreja, as nações começam a ouvir novamente a voz de Deus.
Por isso, o convite do Salmo 100 continua ecoando através dos séculos:
“Servi ao Senhor com alegria.”
Não por obrigação.
Não por tradição.
Não por reconhecimento.
Mas porque fomos encontrados pela graça.
E quem foi alcançado pelo amor de Cristo descobre que a maior aventura da vida é servir ao Rei dos reis.
Servi ao Senhor com alegria.
As nações estão esperando.
por Wal Cordeiro
autor do livro AS SETE ÁREAS DE INFLUÊNCIA NA CIDADE!
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