Tia que impediu sequestro de recém-nascida relata processos e ameaças: “Tentando me calar”
TERESINA, PI — A jovem Daniela Beatriz, responsável por flagrar e impedir o sequestro de sua sobrinha recém-nascida dentro de uma maternidade no Piauí, revelou que está enfrentando processos judiciais e sofrendo ameaças de morte. O caso, ocorrido no último dia 6 de junho na Maternidade Dona Evangelina Rosa — a maior do estado —, ganhou repercussão nacional após ser exibido pelo programa Fantástico, da TV Globo.
Segundo Daniela, as ações judiciais partem de pessoas que alegam ter sido citadas indevidamente ou expostas sem provas durante a repercussão da denúncia.
Relato de coação e desabafo nas redes sociais
Em desabafo publicado em suas redes sociais, a jovem manifestou indignação com a reviravolta no caso, afirmando que há uma tentativa deliberada de silenciá-la.
“Estou muito triste com toda essa situação. Estão tentando me calar, que isso fique bem claro! Eu, que sou a vítima, estou sendo processada por divulgar imagens e citar nomes de pessoas que dizem não estar envolvidas por falta de provas”, protestou Daniela.
A jovem ressaltou que as gravações do circuito interno de segurança do hospital são incontestáveis e cobrou um posicionamento mais rígido das autoridades.
“O delegado viu as imagens e disse que não há provas? Lá mostra absolutamente tudo! Agora eu não posso divulgar a foto, não posso falar o nome… Isso é certo? Não é correto, mas não vão me calar. O que eu puder falar aqui, eu vou falar”, garantiu.
Daniela informou aos seus seguidores que foi intimada para comparecer a uma audiência judicial em Teresina e destacou que sua defesa está sendo conduzida por uma equipe jurídica.
Suspeitas de esquema e temor pela própria vida
Durante uma entrevista transmitida pelo canal Silas TV, no YouTube, o tom de Daniela foi de forte preocupação com a sua integridade física. Ela sugeriu que o crime pode envolver figuras influentes.
“Quem está por trás disso é muito grande, envolve muito dinheiro. Se eu desaparecer ou se algo acontecer comigo, fiquem atentos. Se eu aparecer morta, vocês já sabem o que aconteceu”, alertou.
A jovem também exigiu que a polícia aprofunde as investigações para identificar possíveis cúmplices: “Quero que investiguem de verdade. Acontece uma coisa dessas, fazem uma apuração rápida e dão o caso por encerrado? Isso não está certo.”
O flagrante e a segurança da maternidade
O crime aconteceu quando Daniela abordou a técnica de enfermagem Auricélia Rocha, que tentava deixar a maternidade carregando a bebê de poucos dias de vida escondida dentro de uma bolsa.
Em pronunciamento ao Fantástico, o diretor administrativo e financeiro da instituição de saúde, José Alberto Alencar, negou que tenha havido brechas na segurança. O gestor assegurou que o local é equipado com sistemas de reconhecimento facial, portas controladas por senhas e códigos biométricos, além de contar com uma equipe de vigilância devidamente capacitada.
Situação jurídica e estado de saúde da acusada
Auricélia Rocha, que era funcionária da maternidade mas estava de folga no dia do ocorrido, foi detida preventivamente pela Polícia Civil dois dias após o crime, sendo localizada em uma unidade de saúde mental. Até o momento, a Justiça já colheu o depoimento de 11 pessoas ligadas ao caso.
A defesa da técnica de enfermagem informou que busca a revogação da prisão preventiva. Os advogados sustentam que a cliente foi diagnosticada com transtorno psicótico agudo polimorfo com sintomas esquizofrênicos, quadro que comprometeria sua percepção da realidade. A defesa assegura que ela já está sob tratamento médico e medicamentoso adequado.
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