
Ação do Tesouro dos EUA faz dólar despencar e impulsiona forte alta na B3
O mercado financeiro opera em tom positivo nesta quarta-feira (19). O dólar registra recuo acentuado frente ao real, reflexo direto do anúncio do Tesouro norte-americano de que vai dobrar as recompras de papéis da dívida de longo prazo. O movimento global de alívio nos juros externos injetou ânimo nos investidores, que também aguardam a divulgação da ata do Federal Reserve (Fed).
Por volta das 12h50, a moeda norte-americana era negociada com queda de 1,02%, cotada a R$ 5,167, após encostar na mínima de R$ 5,156. O movimento acompanha o exterior, onde o índice DXY — que mede a força da divisa dos EUA frente a seis moedas globais de referência — cedia 0,77%.
Paralelamente, a Bolsa de Valores brasileira (B3) registra ganhos expressivos. No mesmo horário, o Ibovespa subia 1,24%, aos 168.407 pontos, impulsionado pelo desempenho positivo de papéis de peso, como Vale e Petrobras, e por compras de oportunidade após sessões recentes de baixa. Na máxima do dia, o principal indicador da B3 chegou a avançar 2,41%, tocando os 170.340 pontos.
Injeção de liquidez no mercado americano
O principal vetor do otimismo no pregão é a intervenção do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos. O órgão governamental informou que vai expandir de US$ 2 bilhões para ao menos US$ 4 bilhões o volume das operações diárias de recompra de títulos de dívida soberana com prazos entre 10 e 30 anos. A iniciativa visa injetar liquidez em um mercado de US$ 30 trilhões que vinha sofrendo com a disparada recente dos juros.
Analistas explicam que, quando os rendimentos dos títulos públicos dos EUA (Treasuries) sobem demasiadamente, o capital global tende a migrar para a renda fixa americana, desidratando ativos de países emergentes como o Brasil.
Estrategistas de mercado destacam que a recompra gera demanda artificial pelos títulos, elevando seus preços. Como a taxa e o preço dos papéis caminham em sentidos opostos, o movimento força as taxas para baixo. Com juros mais baixos na maior economia do mundo, o dólar perde atratividade, favorecendo a migração de recursos para outros mercados.
Especialistas em inteligência de mercado avaliam que a necessidade de intervenção do Tesouro evidencia uma menor disposição dos investidores em adquirir papéis de longa maturidade sem prêmios elevados, reflexo direto do receio com o déficit público recorrente e a trajetória da dívida fiscal dos EUA no longo prazo.
Em resposta imediata à medida, o rendimento do Treasury de 30 anos recuou para 5,2% (queda de 0,09 ponto percentual), afastando-se do pico de 5,34% registrado na véspera — até então o maior patamar verificado desde 2007.
Alívio nos juros locais e expectativa pelo Fed
O cenário externo favorável também aliviou as taxas de juros futuras no Brasil. Por volta de 12h50, o contrato de DI para 2028 cedia 11 pontos-base, negociado a 13,86%, enquanto o vencimento para 2035 recuava 15 pontos-base, para 14,625%.
O foco dos agentes financeiros agora se volta para a divulgação da ata da última reunião do Comitê de Mercado Aberto do Fed (Fomc). No encontro de julho, a autoridade monetária manteve os juros americanos na faixa entre 3,5% e 3,75%. O documento é aguardado em busca de pistas sobre os próximos passos da política monetária sob a condução do presidente do órgão, Kevin Warsh, conhecido por um estilo de comunicação mais reservado.
A leitura do documento ganha relevância adicional em meio às incertezas geopolíticas no Oriente Médio. O impasse em relação ao estreito de Hormuz — rota vital por onde transitava cerca de 20% do petróleo e do gás natural do mundo — mantém a cotação da atração pressionada, após trocas de declarações entre a Casa Branca e autoridades iranianas sobre o bloqueio naval na região.

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