
STF suspende sigilo parcial e confirma Flávio Bolsonaro como investigado no inquérito do filme “Dark Horse”
Decisão do ministro André Mendonça apura repasses de R$ 61 milhões articulados pelo parlamentar junto ao Banco Master para a produção da cinebiografia e examina o destino dado aos recursos.
Com a queda de parte do sigilo processual nesta quinta-feira (10), veio a público que o senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) figura formalmente como investigado em um inquérito em trâmite no Supremo Tribunal Federal (STF). A apuração, determinada pelo ministro André Mendonça em julho, concentra-se no financiamento da obra cinematográfica Dark Horse, que retrata a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.
A investigação teve início a pedido da Polícia Federal, com o aval da Procuradoria-Geral da República (PGR). O foco central recai sobre repasses da ordem de R$ 61 milhões realizados pelo banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, a pedido do senador, e o rastreio da destinação final dessas verbas. Os investigadores analisam, entre outras hipóteses, se parte do montante teria sido direcionada para custear atividades do ex-deputado Eduardo Bolsonaro em território norte-americano, podendo configurar crimes de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção.
Defesa e desdobramentos paralelos
A defesa do parlamentar não retornou de imediato aos contatos da imprensa, mas o próprio candidato declarou publicamente durante sabatina recente no Jornal Nacional que sua atuação na captação de recursos privados para o filme ocorreu sem qualquer tipo de irregularidade.
O caso também ganhou novos contornos com a homologação, pelo gabinete de André Mendonça, da delação premiada do empresário Antonio Carlos Freixo Júnior (conhecido como “Mineiro”), proprietário da Entre Investimentos e Participações — empresa apontada como receptora dos recursos repassados por Vorcaro.
Paralelamente, o andamento das investigações sobre o projeto cinematográfico se desdobrou em outras frentes na Suprema Corte. Na mesma semana, o ministro Flávio Dino autorizou dezenas de mandados de busca e apreensão para apurar suspeitas de desvios em emendas parlamentares direcionadas ao mesmo setor, mirando alvos como o deputado federal Mario Frias (PL-SP).

Sem comentários! Seja o primeiro.